Métrica (poesia)







Índice






  • 1 Tipos de canções, versos e poesias


    • 1.1 Monossílabo


    • 1.2 Dissílabo


    • 1.3 Trissílabo


    • 1.4 Tetrassílabo


    • 1.5 Pentassílabo


    • 1.6 Hexassílabo


    • 1.7 Heptassílabo


    • 1.8 Octossílabo


    • 1.9 Eneassílabo


    • 1.10 Decassílabo


      • 1.10.1 Heroico


      • 1.10.2 Sáfico


      • 1.10.3 Martelo


      • 1.10.4 Gaita Galega




    • 1.11 Hendecassílabo


      • 1.11.1 Galope à beira-mar




    • 1.12 Dodecassílabo


      • 1.12.1 Alexandrino




    • 1.13 Bárbaro




  • 2 Métrica antiga e clássica


  • 3 Métrica medieval


  • 4 Referências


  • 5 Ver também




Metro é a medida do verso. O estudo do metro chama-se metrificação e escansão é a contagem dos sons dos versos[1]. As sílabas métricas, ou poéticas, diferem das sílabas gramaticais em alguns aspectos.



Tipos de canções, versos e poesias |


Para contar corretamente as sílabas poéticas, deve-se seguir os seguintes preceitos:




  • 1) Não se contam as sílabas poéticas que estejam após a última sílaba tônica do verso


  • 2) Ditongos têm valor de uma só sílaba poética.


  • 3) Duas ou mais vogais, átonas ou até mesmo tônicas, podem fundir-se entre uma palavra e outra, formando uma só sílaba poética.


Às várias orações dividindo as sílabas métricas em determinado verso podem ser atribuídos nomes:



Monossílabo |


Verso com uma sílaba métrica, como na balada Gentil Sofia, de Bernardo Guimarães[2]:











1
—
Ma (nha),


Dissílabo |


Verso com duas sílabas métricas, como os presentes em A valsa, de Casimiro de Abreu[3]:













1 2
—
Na dan (ça)


Trissílabo |


Verso com três sílabas métricas, tendo como exemplo o presente no poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira[4]:















1 2 3
—
Voa, fu ma (ça)


Tetrassílabo |


Verso com quatro sílabas métricas, como em um poema de Almanaque das Musas, de Caldas Barbosa[5]:

















1 2 3 4
—
Ou ço_al to can (to)


Pentassílabo |


Verso com cinco sílabas métricas, também conhecido como redondilha menor, presente na quarta parte de I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias[6]:

















1 2 3 4 5
Dei xa- me vi ver!


Hexassílabo |


Verso com seis sílabas métricas, também conhecido como heroico quebrado, encontrado no poema A Canção de Romeu, de Olavo Bilac[7]:





















1 2 3 4 5 6
—
A bre_a ja ne la ... a cor (da!)


Heptassílabo |


Verso com sete sílabas métricas, também conhecido como redondilha maior, como em Cantiga sua partindo-se, de João Roiz de Castel-Branco[8]:























1 2 3 4 5 6 7
—
Se nho ra, par tem tão tris (tes)


Octossílabo |


Verso com oito sílabas métricas, presente em O bestiário ou cortejo de Orfeu, de Guillaume Apollinaire[9]:

























1 2 3 4 5 6 7 8
—
Ad mi rem o po der no tá (vel)


Eneassílabo |


Verso com nove sílabas métricas, presente ao longo do Hino ao Senhor do Bonfim, de Arthur de Salles e João Antônio Wanderley[10]:



























1 2 3 4 5 6 7 8 9
—
Nos sos pais con du zis te_à vi tó (ria)


Decassílabo |


Verso com 10 sílabas métricas, como em Alma minha gentil, que te partiste, de Luís de Camões[11]:





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
—
Não te_es que ças da que le_a mor ar den (te)


Heroico |


Decassílabo com sílabas tônicas nas posições 6 e 10, como ao longo d'Os Lusíadas, também de Luís de Camões[12]:





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
—
As ar mas e_os ba rões as si na la (dos)


Sáfico |


Decassílabo com sílabas tônicas nas posições 4, 8 e 10, tendo como exemplo este verso de O Uraguai, de Basílio da Gama[13]:





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
—
Po rém o des tro Cai tu tu que tre (me)


Martelo |


Decassílabo heroico com tônicas nas posições 3, 6 e 10, como em versos da canção Procissão, de Gilberto Gil[14]





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
—
Mas se_e xis te Je sus no fir ma men (to)


Gaita Galega |


Decassílabo com tônicas nas posições 4, 7 e 10, que recebe esse nome em função das muinheiras galegas, cantadas com acompanhamento de gaita de foles, cuja metrificação era ritmada com o instrumento, como em um dos cantares de Dom Fernan Rodrigues de Calheiros[15]:





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
—
Ma car m'el
viu,
sol non quis fa lar mi (go)


Hendecassílabo |


Verso com 11 sílabas métricas, presente na guarânia Índia[16].































1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
—
Ín dia teus ca be los nos om bros ca í (dos)


Galope à beira-mar |


Hendecassílabo com tônicas nas posições 2, 5, 8 e 11, que recebeu esse nome em função da parecença de seu ritmo com o galope e as ondas do mar, tendo seu nome sido inspirado no poema Galope à beira-mar para a mulher amada, de Artur Eduardo Benevides[17]:





























1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Can tan do_um ga lo pe na bei ra do
mar!


Dodecassílabo |


Verso com 12 sílabas métricas, como os do poema Domínio Régio, de Jorge de Lima[18]:

































1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
—
Ins pi ra do_a pen sar em teu per fil di vi (no)


Alexandrino |


Verso dodecassílabo que possui tônicas na sexta e na décima segunda sílaba, formando dois hemistíquios, como no poema Spleen, de Baudelaire[19].

































1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
—
Do bu fão fa vo ri to_a gro tes ca ba la (da)


Bárbaro |


Verso com mais de 12 sílabas métricas[20], como vários versos da canção Back in Bahia, de Gilberto Gil[21]:







































1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
Di go num ba ú de pra ta por que pra ta_é_a luz do lu ar

(frise-se que, como no exemplo, o caso de 16 sílabas métricas também admite a nomenclatura hexadecassílabo[22][23] - sistema de numeração hexadecimal)



Métrica antiga e clássica |


Na poesia grega e latina[24], a métrica conta-se em função da quantidade das sílabas, consoante sejam breves ou longas. Ao conjunto de sílabas chama-se pé. Entre os mais divulgados contam-se o iambo, com uma sílaba breve seguida de uma longa (U—); o espondeu, com duas sílabas longas (— —); o dáctilo com uma sílaba longa e duas breves (—UU).


Dos diversos tipos de verso usados, destacam-se o hexâmetro, com seis pés, e o pentâmetro, com cinco pés. O hexâmetro classifica-se segundo o tipo do penúltimo pé: hexâmetro dactílico com o quinto pé dáctilo, e hexâmetro espondaico com o quinto pé espondeu.


Um par formado por um hexâmetro e um pentâmetro designa-se dístico elegíaco.



Métrica medieval |


Na Idade Média continuou a usar-se o pé como unidade métrica. Mas nessa época a noção de quantidade já não era aplicável às sílabas na generalidade das línguas. Assim, o pé passou a contar-se em função das sílabas tônicas[25].


Tipos de pé:


  • Troqueu - Uma sílaba tônica e uma átona;


  • Jambo - Uma sílaba átona e uma tônica;


  • Dáctilo - Uma sílaba tônica e duas átonas;


  • Anapesto - Duas sílabas átonas e uma tônica.



Na prosa também se contava a métrica, com base igualmente nas sílabas tónicas, contadas a partir do final do verso.



  1. O "cursus planus" era acentuado na 2.ª e na 5.ª (a contar do fim);

  2. O "cursus dispondaicus" tinha acentos na 2.ª e 6.ª;

  3. O "cursus velox" contava as tónicas na 2.ª e 7.ª;

  4. O "cursus tardus" era acentuado na 3.ª e na 6.ª sílabas.


Esta técnica, embora já fosse de uso corrente, foi explicitada no século XII por Alberto Morra, que viria a ser o Papa Gregório VIII, numa obra intitulada "Forma dictandi quam Rome notarios instituit magister Albertus qui et Gregorius VIII, papa".



Referências




  1. ↑ DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. «Recursos da linguagem poética». Português (R7). Consultado em 17 de setembro de 2015 


  2. ↑ «Sobre versificação em língua portuguesa (2)». Curso Gratuito de Português. Consultado em 14 de setembro de 2015 


  3. ↑ FIORIN, José Luiz (2003). «Três questões sobre a relação entre expressão e conteúdo». Revista Itinerários, n. especial (Universidade Estadual de São Paulo). Consultado em 14 de setembro de 2015 


  4. ↑ OLIVEIRA, Isa Maria Marques de (2013). «Percepções da Performance da Linguagem na Ciberpoesia» (PDF). CEFET - MG. Consultado em 14 de setembro de 2015 


  5. ↑ RENNÓ, Adriana de Campos (2005). Caldas Barbosa e o pecado das orelhas. [S.l.]: Arte e Ciência. 464 páginas. página 112 


  6. ↑ SILVA, Arnós Coelho da. «A agonística em Gonçalves Dias». Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Consultado em 13 de setembro de 2015 


  7. ↑ «Sobre versificação em língua portuguesa (5)». Curso Gratuito de Português. Consultado em 17 de setembro de 2015 


  8. ↑ «Humanismo Renascentista». Jornal das Tribos. 7 de agosto de 2013. Consultado em 13 de setembro de 2015 


  9. ↑ GUILLAUME, Apollinaire (trad. Álvaro Faleiros) (1997). Bestiário ou Cortejo de Orfeu. [S.l.]: Iluminuras. 125 páginas. páginas 15 e 27 


  10. ↑ ANDRADE, Enzio Gercione Soares de (2011). «"Essas pessoas na sala de jantar": espaços históricos em canções tropicalistas» (PDF). Universidade Federal do Rio Grande do Norte. p. 167. Consultado em 12 de setembro de 2015 


  11. ↑ «Camões, Dinamene e Os Lusíadas - Escolhas». Homo literatus. Consultado em 14 de setembro de 2015 


  12. ↑ MOISÉS, Massaud (1968). A literatura portuguesa através dos textos. [S.l.]: Cultrix. 682 páginas. página 98 


  13. ↑ LIMA, Renira Lisboa de Moura; MOREIRA, Fernando Otávio Fiúza; SILVA, Valéria Ribeiro (s/d). A anteposição do adjetivo em A morte de Lindoia, fragmento de O Uraguai. [S.l.]: Editora UFAL. páginas 53-54  Verifique data em: |ano= (ajuda) !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)


  14. ↑ TAVARES, Bráulio. «Os martelos de Trupizupe». Jornal de Poesia. Consultado em 16 de setembro de 2015 


  15. ↑ SPINA, Segismundo (2003). Manual de Versificação Românica Medieval. [S.l.]: Ateliê Editorial. 231 páginas. página 54 


  16. ↑ GUTEMBERG, Jaqueline Souza (2013). «Entre modas e guarânias: a produção musical de José Fortuna e seu tempo (1950-1980)» (PDF). Universidade Federal de Uberlândia. Consultado em 12 de setembro de 2015 


  17. ↑ MARTINS, Oswaldo Evandro Carneiro (2005). «Parecer sobre Patativa do Assaré» (PDF). Revista do Instituto do Ceará. Consultado em 15 de setembro de 2015 


  18. ↑ «Domínio Régio - Jorge de Lima». Jornal da Besta Fubana. Consultado em 12 de setembro de 2015 


  19. ↑ ROSENFIELD, Kathrin H.(org.);PEREIRA, Lawrence Flores (trad.) (1996). Poesia em tempo de prosa. [S.l.]: Iluminuras/FAPERGS. página 114  !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)


  20. ↑ BERNARDI, Francisco (1999). As Bases da Literatura Brasileira - histórias, autores, textos e testes. [S.l.]: AGE. 217 páginas. página 22 


  21. ↑ GIL, Gilberto. «Back in Bahia». Gilberto Gil. Consultado em 30 de abril de 2016 


  22. ↑ «POEMA EM LINHA RETA». prezi.com. Consultado em 7 de março de 2018 


  23. ↑ «Hexadecasílabo (Octonario) (verso) - Escribir Canciones». Escribir Canciones (em espanhol). 16 de maio de 2015 


  24. ↑ MOURA, Fernanda (s/d). «Para uma tradução em verso do dístico elegíaco: Propércio, I, 14». Universidade de São Paulo. Consultado em 17 de setembro de 2015 


  25. ↑ MONTAGNER, Airto Ceolin. «Carmina Arundelliana: enquanto resplandescente brilha». Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Consultado em 17 de setembro de 2015 



Ver também |



  • Soneto

  • Rima

  • Ritmo

  • Versificação



  • Portal da linguística



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