Índice de Desenvolvimento Humano






Mapa-múndi indicando o Índice de Desenvolvimento Humano (baseado em dados de 2017, publicados em 2018).[1]


  acima de 0,900

  0,850–0,899

  0,800–0,849

  0,750–0,799

  0,700–0,749

  0,650–0,699

  0,600–0,649

  0,550–0,599

  0,500–0,549

  0,450–0,499

  0,400–0,449

  0,350–0,399

  0,300–0,349

  abaixo de 0,300

  Sem dados





Mapa-múndi representando as quatro categorias do Índice de Desenvolvimento Humano, baseado no relatório publicado em 14 de setembro de 2018, com dados referentes a 2017.[1]


  0,800–1,000 (muito alto)

  0,700–0,799 (alto)

  0,555–0,699 (médio)

  0,350–0,554 (baixo)

  Sem dados



Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos em nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.


O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório anual.




Índice






  • 1 Origem


  • 2 Critérios de avaliação


  • 3 Metodologia


    • 3.1 Atual


    • 3.2 Antiga




  • 4 Relatório de 2018


    • 4.1 Desenvolvimento humano muito alto




  • 5 Críticas


  • 6 Ver também


  • 7 Referências


  • 8 Ligações externas





Origem |





















Mahbub ul Haq



Amartya Sen




O IDH surge no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). Estes foram criados e lançados pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq em 1990 e teve como objetivo explícito: "Desviar o foco do desenvolvimento da economia e da contabilidade de renda nacional para políticas centradas em pessoas."[2] Para produzir os RDHs, Mahbub ul Haq reuniu um grupo de economistas bem conhecidos, incluindo: Paul Streeten, Frances Stewart, Gustav Ranis, Keith Griffin, Sudhir Anand e Meghnad Desai. Mas foi o trabalho de Amartya Sen sobre capacidades e funcionamentos que forneceu o quadro conceptual subjacente. Haq tinha certeza de que uma medida simples, composta pelo desenvolvimento humano, seria necessária para convencer a opinião pública, os acadêmicos e as autoridades políticas de que podem e devem avaliar o desenvolvimento não só pelos avanços econômicos, mas também pelas melhorias no bem-estar humano. Sen, inicialmente se opôs a esta ideia, mas ele passou a ajudar a desenvolver, junto com Haq, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Sen estava preocupado de que seria difícil capturar toda a complexidade das capacidades humanas em um único índice, mas Haq o convenceu de que apenas um número único chamaria a atenção das autoridades para a concentração econômica do bem estar humano.[3][4]



Critérios de avaliação |


A partir do relatório de 2010, o IDH combina três dimensões:



  • Uma vida longa e saudável: Expectativa de vida ao nascer

  • O acesso ao conhecimento: Anos Médios de Estudo e Anos Esperados de Escolaridade

  • Um padrão de vida decente: PIB (PPC) per capita


Até 2009, o IDH usava os três índices seguintes como critério de avaliação:




  • Índice de educação: Para avaliar a dimensão da educação o cálculo do IDH considera dois indicadores. O primeiro, com peso dois, é a taxa de alfabetização de pessoas com quinze anos ou mais de idade — na maioria dos países, uma criança já concluiu o primeiro ciclo de estudos (no Brasil, o Ensino Fundamental) antes dessa idade. Por isso a medição do analfabetismo se dá, tradicionalmente a partir dos 15 anos de idade. O segundo indicador é a taxa de escolarização: somatório das pessoas, independentemente da idade, matriculadas em algum curso, seja ele fundamental, médio ou superior, dividido pelo total de pessoas entre 7 e 22 anos da localidade. Também entram na contagem os alunos supletivo, de classes de aceleração e de pós-graduação universitária, nesta área também está incluído o sistema de equivalências Rvcc ou Crvcc, apenas classes especiais de alfabetização são descartadas para efeito do cálculo.


  • Longevidade: O item longevidade é avaliado considerando a expectativa de vida ao nascer. Esse indicador mostra a quantidade de anos que uma pessoa nascida em uma localidade, em um ano de referência, deve viver. Reflete as condições de saúde e de salubridade no local, já que o cálculo da expectativa de vida é fortemente influenciado pelo número de mortes precoces.


  • Renda: A renda é calculada tendo como base o PIB per capita (por pessoa) do país. Como existem diferenças entre o custo de vida de um país para o outro, a renda medida pelo IDH é em dólar PPC (Paridade do Poder de Compra), que elimina essas diferenças.



Metodologia |



Atual |


No Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 o PNUD começou a usar um novo método de cálculo do IDH. Os três índices seguintes são utilizados:


1. Expectativa de vida ao nascer (EV) = EV−2083,2−20{displaystyle {frac {EV-20}{83,2-20}}}{frac  {EV-20}{83,2-20}}


2. Índice de educação (EI) = IAME×IAEE2−00,951−0{displaystyle {frac {{sqrt[{2}]{IAMEtimes IAEE}}-0}{0,951-0}}}{frac  {{sqrt[ {2}]{IAMEtimes IAEE}}-0}{0,951-0}}



2.1 Índice de Anos Médios de Estudo (IAME) = AME−013,2−0{displaystyle {frac {AME-0}{13,2-0}}}{frac  {AME-0}{13,2-0}}

2.2 Índice de Anos Esperados de Escolaridade (IAEE) = AEE−020,6−0{displaystyle {frac {AEE-0}{20,6-0}}}{frac  {AEE-0}{20,6-0}}


3. Índice de renda (IR) = ln(Rendapc)−ln(163)ln(108.211)−ln(163){displaystyle {frac {ln(Rendapc)-ln(163)}{ln(108.211)-ln(163)}}}frac{ln(Rendapc) - ln(163)} {ln(108.211) - ln(163)}


Finalmente, o IDH é a média geométrica dos três índices anteriores normalizados:


  • IDH=EV×EI×IR3.{displaystyle IDH={sqrt[{3}]{EVtimes EItimes IR}}.}IDH={sqrt[ {3}]{EVtimes EItimes IR}}.

Legenda:



  • EV{displaystyle mathrm {EV} }{mathrm  {EV}} = Expectativa de vida ao nascer


  • AME{displaystyle mathrm {AME} }{mathrm  {AME}} = Anos Médios de Estudo


  • AEE{displaystyle mathrm {AEE} }{mathrm  {AEE}} = Anos Esperados de Escolaridade


  • PIBpc{displaystyle mathrm {PIBpc} }{mathrm  {PIBpc}} = Produto Interno Bruto (Paridade do Poder de Compra) per capita


Antiga |


Até 2009, para calcular o IDH de uma localidade, fazia-se a seguinte média aritmética:




  • IDH=L+E+R3{displaystyle mathrm {IDH} ={frac {mathrm {L} +mathrm {E} +mathrm {R} }{3}}}{mathrm  {IDH}}={frac  {{mathrm  {L}}+{mathrm  {E}}+{mathrm  {R}}}{3}} (onde L{displaystyle mathrm {L} }{mathrm  {L}} = Longevidade, E{displaystyle mathrm {E} }{mathrm  {E}} = Educação e R{displaystyle mathrm {R} }{mathrm  {R}} = Renda)

  • L=EV−2560{displaystyle mathrm {L} ={frac {mathrm {EV} -25}{60}}}{mathrm  {L}}={frac  {{mathrm  {EV}}-25}{60}}

  • E=2TA+TE3{displaystyle mathrm {E} ={frac {2mathrm {TA} +mathrm {TE} }{3}}}{mathrm  {E}}={frac  {2{mathrm  {TA}}+{mathrm  {TE}}}{3}}


  • R=log10⁡PIBpc−22,60206{displaystyle mathrm {R} ={frac {log _{10}mathrm {PIBpc} -2}{2,60206}}}{mathrm  {R}}={frac  {log _{{10}}{mathrm  {PIBpc}}-2}{2,60206}} nota: pode-se utilizar também a renda per capita (ou PNB per capita).


Legenda:




  • EV{displaystyle mathrm {EV} }{mathrm  {EV}} = Expectativa de vida ao nascer;


  • TA{displaystyle mathrm {TA} }{mathrm  {TA}} = Taxa de Alfabetização;


  • TE{displaystyle mathrm {TE} }{mathrm  {TE}} = Taxa de Escolarização;


  • log10⁡PIBpc{displaystyle log _{10}mathrm {PIBpc} }log _{{10}}{mathrm  {PIBpc}} = logaritmo decimal do PIB per capita.



Relatório de 2018 |


Ver também: Lista de países por Índice de Desenvolvimento Humano

Abaixo estão listados apenas os países de desenvolvimento humano muito alto:



Desenvolvimento humano muito alto |








Críticas |


O Índice de Desenvolvimento Humano tem sido criticado por uma série de razões, incluindo pela não inclusão de quaisquer considerações de ordem ecológica, focando exclusivamente no desempenho nacional e por não prestar muita atenção ao desenvolvimento de uma perspectiva global. Dois autores afirmaram que os relatórios de desenvolvimento humano "perderam o contato com sua visão original e o índice falha em capturar a essência do mundo que pretende retratar."[5] O índice também foi criticado como "redundante" e uma "reinvenção da roda", medindo aspectos do desenvolvimento que já foram exaustivamente estudados.[6][7] O índice foi ainda criticado por ter um tratamento inadequado de renda, falta de comparabilidade de ano para ano, e por avaliar o desenvolvimento de forma diferente em diferentes grupos de países.[8]


O economista Bryan Caplan criticou a forma como as pontuações do IDH eram produzidas até 2009; cada um dos três componentes são limitados entre zero e um. Como resultado disso, os países ricos não podem efetivamente melhorar a sua classificação em certas categorias, embora haja muito espaço para o crescimento econômico e longevidade. "Isso efetivamente significa que um país de imortais, com um infinito PIB per capita iria obter uma pontuação de 0,666 (menor do que a África do Sul e Tajiquistão), se sua população fosse analfabeta e nunca tivesse ido à escola."[9] Ele argumenta: "A Escandinávia sai por cima de acordo com o IDH, porque o IDH é basicamente uma medida de quão escandinavo um país é."[9]


As críticas a seguir são comumente dirigidas ao IDH: de que o índice é uma medida redundante que pouco acrescenta ao valor das ações individuais que o compõem; que é um meio de dar legitimidade às ponderações arbitrárias de alguns aspectos do desenvolvimento social; que é um número que produz uma classificação relativa; que é inútil para comparações inter-temporais; e que é difícil comparar o progresso ou regresso de um país uma vez que o IDH de um país num dado ano depende dos níveis de expectativa de vida ou PIB per capita de outros países no mesmo ano.[10][11][12][13] No entanto, a cada ano, os estados-membros da ONU são listados e classificados de acordo com o IDH. Se for alta, a classificação na lista pode ser facilmente usado como um meio de engrandecimento nacional, alternativamente, se baixa, ela pode ser utilizada para destacar as insuficiências nacionais. Usando o IDH como um indicador absoluto de bem-estar social, alguns autores utilizaram dados do painel de IDH para medir o impacto das políticas econômicas na qualidade de vida.[14]



Ver também |




  • Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil

  • Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

  • Lista de países por Índice de Desenvolvimento Humano

  • Lista de países por igualdade de riqueza

  • Felicidade Interna Bruta

  • Happy Planet Index

  • País desenvolvido

  • País em desenvolvimento

  • País subdesenvolvido

  • Coeficiente de Gini

  • Índice de Theil

  • Desigualdade econômica

  • Curva de Lorenz

  • Concentração de renda

  • Distribuição de renda

  • Pobreza

  • Engenharia ambiental

  • IDH dos estados do Brasil

  • Índice de Desenvolvimento Social

  • Estado de bem-estar social

  • Prognósticos da ONU sobre desenvolvimento humano




Referências




  1. ↑ abcdefghij PNUD, ed. (14 de setembro de 2018). «Human Development Indices and Indicators - 2018 Statistical Update» (PDF) (em inglês). Consultado em 24 de setembro de 2018 


  2. ↑ Haq, Mahbub ul. 1995. Reflections on Human Development. New York: Oxford University Press.


  3. ↑ Sakiko Fukuda-Parr The Human Development Paradigm: operationalizing Sen’s ideas on capabilities Feminist Economics 9(2 – 3), 2003, 301 – 317


  4. ↑ United Nations Development Programme. 1999. Human Development Report 1999. New York:Oxford University Press.


  5. ↑ Ambuj D. Sagara, Adil Najam, "The human development index: a critical review", Ecological Economics, Vol. 25, No. 3, pp. 249–264, June 1998.


  6. ↑ McGillivray, Mark, "The human development index: yet another redundant composite development indicator?", World Development, Vol. 19, No. 10, pp. 1461–1468, Oct. 1991.


  7. ↑ T.N. Srinivasan "Human Development: A New Paradigm or Reinvention of the Wheel?", American Economic Review, Vol. 84, No. 2, pp. 238–243, May 1994.


  8. ↑ Mark McGillivray, Howard White, "Measuring development? The UNDP's human development index", Journal of International Development, Vol. 5, No. 2, pp. 183–192, Nov, 2006.


  9. ↑ ab Against the Human Development Index Comment Posted Posted May 22, 2009, Bryan Caplan – Library of Economics and Liberty


  10. ↑ Rao VVB, 1991. Human development report 1990: review and assessment. World Development, Vol 19 No. 10, pp. 1451–1460.


  11. ↑ McGillivray M. The Human Development Index: Yet Another Redundant Composite Development Indicator? World Development, 1991, vol 18, no. 10:1461–1468.


  12. ↑ Hopkins M. Human development revisited: A new UNDP report. World Development, 1991. vol 19, no. 10, 1461–1468.


  13. ↑ Tapia Granados JA. Algunas ideas críticas sobre el índice de desarrollo humano. Boletín de la Oficina Sanitaria Panamericana, 1995 Vol 119, No. 1, pp. 74–87.


  14. ↑ Davies, A. and G. Quinlivan (2006), A Panel Data Analysis of the Impact of Trade on Human Development, Journal of Socioeconomics



Ligações externas |












Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:

Wikcionário

Definições no Wikcionário

Commons

Imagens e media no Commons



  • Commons

  • Wikcionário





  • Regional and National Trends in the Human Development Index 1980-2011 (em inglês) - Evolução do IDH de 1980-2011 por país com Gráfico interativo


  • 2010 - Relatório de Desenvolvimento Humano (em português) - Relatório completo

  • 2007 - UN Human Development Index Report (PDF)

  • 2006 - UN Human Development Index Report (PDF)

  • 2005 - UN Human Development Index Report (PDF)

  • 2004 - UN Human Development Index Report (PDF)

  • Ranking decrescente do IDH dos estados do Brasil - 2005

  • Ranking decrescente do IDH dos municípios do Brasil - 1991 e 2000

























































  • Portal do desenvolvimento sustentável
  • Portal da sociedade
  • Portal de economia e negócios



Popular posts from this blog

Willebadessen

Ida-Boy-Ed-Garten

Residenzschloss Arolsen