Torque

















































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Torque (português brasileiro) ou binário (português europeu), também conhecido como momento de alavanca, momento de força, ou simplesmente momento (evita-se este último termo, pois ele pode se referir a outras gradezas, como momento angular, momento linear e momento de inércia) é uma grandeza vetorial da física associada às forças que produzam rotação em um corpo.[1]


Inicialmente, o torque é definido a partir da componente perpendicular ao eixo de rotação da força aplicada sobre um objeto, que é efetivamente utilizada para fazê-lo girar em torno de um eixo ou ponto central, conhecido como ponto pivô ou ponto de rotação. A distância do ponto pivô ao ponto onde atua uma força ‘F’ é chamada braço do momento e é denotada por ‘r’. Note que esta distância ‘r’ é também um vetor.[2]


Em um espaço tridimensional, o vetor torque é definido como o produto vetorial, respectivamente, da posição r{displaystyle mathbf {r} }{displaystyle mathbf {r} } em que é aplicada a força F{displaystyle mathbf {F} }{displaystyle mathbf {F} }:[1]


τ=r×F{displaystyle {boldsymbol {tau }}=mathbf {r} times mathbf {F} ,!}{displaystyle {boldsymbol {tau }}=mathbf {r} times mathbf {F} ,!}



Índice






  • 1 Introdução


    • 1.1 Definição em módulo


    • 1.2 Definição vetorial


    • 1.3 Unidades




  • 2 Segunda lei de Newton para rotações


    • 2.1 Eixo fixo


    • 2.2 Forma geral


    • 2.3 Relação com o momento angular




  • 3 Equilíbrio de rotação


  • 4 Problemas envolvendo torque


    • 4.1 Bloco pendurado por disco




  • 5 Cálculos de Forças


  • 6 Momento e Binários


  • 7 Ver também


  • 8 Referências


  • 9 Bibliografia





Introdução |



Definição em módulo |





Decomposição da força F em duas componentes: uma perpendicular ao vetor posição r, F⊥; e outra paralela a ele. Somente a componente perpendicular da força produz rotação e, por consequência, é a única que produz torque.
Nesta imagem, o vetor torque aponta perpendicularmente ao plano em que ocorre a rotação, no sentido que "sai" da imagem.



A maçaneta de uma porta fica o mais longe possível das dobradiças por uma boa razão. Para abrir uma porta pesada, é tão necessário aplicar uma força de módulo suficientemente grande, quanto é aplicá-la na direção perpendicular à linha que liga a maçaneta às dobradiças. Se a força for aplicada mais perto das dobradiças que a maçaneta, ou com um ângulo diferente de 90º em relação ao plano da porta, será preciso usar uma força maior para abrir a porta que se a força for aplicada à maçaneta, perpendicularmente ao plano da porta.[2]


Para determinar o modo como F provoca uma rotação do corpo em torno do eixo de rotação, podemos separar a força em duas componentes (figura ao lado). Uma dessas componentes, a componente radial F||, tem a direção do vetor r. Essa componente não provoca rotações, já que age ao longo de uma reta que passa pelo ponto do qual se origina o vetor posição r. Isto é, se uma porta for puxada ou empurrada paralelamente ao seu plano, ela não vai girar. Já a componente tangencial, F⊥, é perpendicular ao vetor posição. Essa componente, portanto, provoca rotações e tem módulo F⊥=Fsen⁡(θ){displaystyle F_{perp }=Foperatorname {sen}(theta )}{displaystyle F_{perp }=Foperatorname {sen}(theta )}. Isso equivale a puxar ou empurrar uma porta perpendicularmente a seu plano, o que provoca sua rotação.[2]


A capacidade de F fazer um corpo girar não depende apenas do módulo da componente tangencial F⊥, mas também da distância entre o ponto de aplicação de F e o ponto em que se origina o vetor r, isto é, do módulo desse vetor, cujo valor é r{displaystyle r}r. Em uma interpretação simétrica, pode-se definir a componente de r ortogonal à força F (comumente denominada braço de alavanca), simbolizada por r⊥ e cujo módulo é r⊥=rsen⁡(θ){displaystyle r_{perp }=roperatorname {sen}(theta )}{displaystyle r_{perp }=roperatorname {sen}(theta )}.[3] Para levar em conta os dois fatores, em ambas as interpretações, defini-se uma grandeza chamada de torque (τ{displaystyle tau }tau) como o produto das duas grandezas de cada situação:[2]



Definição de torque (módulo)

τ=rF⊥=r⊥F=rFsen⁡(θ){displaystyle tau =rF_{perp }=r_{perp }F=rFoperatorname {sen}(theta )}{displaystyle tau =rF_{perp }=r_{perp }F=rFoperatorname {sen}(theta )}




Definição vetorial |




Relação dos vetores torque (τ{displaystyle {boldsymbol {tau }}}{displaystyle {boldsymbol {tau }}}), força (F{displaystyle mathbf {F} }{displaystyle mathbf {F} }), momento linear (p{displaystyle mathbf {p} }{displaystyle mathbf {p} }), momento angular (L{displaystyle mathbf {L} }{displaystyle mathbf {L} }) e posição (r{displaystyle mathbf {r} }{displaystyle mathbf {r} }).


Inicialmente, defini-se o torque τ{displaystyle tau }tau de um corpo rígido capaz de girar em torno de um eixo fixo, com todas as partículas do corpo sendo forçadas a se mover em trajetórias circulares com centro nesse eixo. Isto é, o movimento de cada partícula está contido em um plano específico. Para ampliar a definição de torque e o escopo de sua aplicação, de modo que uma partícula possa se mover em uma trajetória qualquer em relação a um ponto fixo (em vez de um eixo fixo) e que a trajetória não seja necessariamente circular, o torque será considerado não mais como um escalar, mas sim como um vetor. Com isso, define-se o torque como sendo o produto vetorial, respectivamente, entre o vetor posição r{displaystyle mathbf {r} }{displaystyle mathbf {r} } (referido a uma origem O{displaystyle O}O) e a força aplicada ao corpo nessa posição F{displaystyle mathbf {F} }{displaystyle mathbf {F} }:[1]



Definição de torque (vetorial)

τ=r×F{displaystyle {boldsymbol {tau }}=mathbf {r} times mathbf {F} }{displaystyle {boldsymbol {tau }}=mathbf {r} times mathbf {F} }



Essa definição de torque, assim como qualquer outro produto vetorial, obedece a convenção dextrógira, isto é, a regra da mão direita.[4] O produto vetorial é formalmente calculado de forma análoga a um determinante, cujas linhas são formadas pelos versores cartesianos e pelas componentes do vetor posição e do vetor força. Considerando r=(x,y,z){displaystyle mathbf {r} =(x,y,z)}{displaystyle mathbf {r} =(x,y,z)}, F=(Fx,Fy,Fz){displaystyle mathbf {F} =(F_{x},F_{y},F_{z})}{displaystyle mathbf {F} =(F_{x},F_{y},F_{z})}, e i{displaystyle mathbf {i} }{displaystyle mathbf {i} }, j{displaystyle mathbf {j} }{displaystyle mathbf {j} } e k{displaystyle mathbf {k} }{displaystyle mathbf {k} } como os vetores unitários, respectivamente, nas direções x{displaystyle x}x, y{displaystyle y}y e z{displaystyle z}z, obtém-se a seguinte expressão:[5]


r×F=|ijkxyzFxFyFz|{displaystyle mathbf {r} times mathbf {F} ={begin{vmatrix}mathbf {i} &mathbf {j} &mathbf {k} \x&y&z\F_{x}&F_{y}&F_{z}end{vmatrix}}}{displaystyle mathbf {r} times mathbf {F} ={begin{vmatrix}mathbf {i} &mathbf {j} &mathbf {k} \x&y&z\F_{x}&F_{y}&F_{z}end{vmatrix}}}

Portanto, usando o teorema de Laplace para o cálculo de determinantes, o torque exercido pode ser expresso, em componentes cartesianas, das seguintes formas:


τ=|yzFyFz|i−|xzFxFz|j+|xyFxFy|k{displaystyle {boldsymbol {tau }}={begin{vmatrix}y&z\F_{y}&F_{z}end{vmatrix}}mathbf {i} -{begin{vmatrix}x&z\F_{x}&F_{z}end{vmatrix}}mathbf {j} +{begin{vmatrix}x&y\F_{x}&F_{y}end{vmatrix}}mathbf {k} }{displaystyle {boldsymbol {tau }}={begin{vmatrix}y&z\F_{y}&F_{z}end{vmatrix}}mathbf {i} -{begin{vmatrix}x&z\F_{x}&F_{z}end{vmatrix}}mathbf {j} +{begin{vmatrix}x&y\F_{x}&F_{y}end{vmatrix}}mathbf {k} }

τ=(yFz−zFy)i−(xFz−zFx)j+(xFy−yFx)k=(yFz−zFy,zFx−xFz,xFy−yFx){displaystyle {boldsymbol {tau }}=(yF_{z}-zF_{y})mathbf {i} -(xF_{z}-zF_{x})mathbf {j} +(xF_{y}-yF_{x})mathbf {k} =(yF_{z}-zF_{y},zF_{x}-xF_{z},xF_{y}-yF_{x})}{displaystyle {boldsymbol {tau }}=(yF_{z}-zF_{y})mathbf {i} -(xF_{z}-zF_{x})mathbf {j} +(xF_{y}-yF_{x})mathbf {k} =(yF_{z}-zF_{y},zF_{x}-xF_{z},xF_{y}-yF_{x})}


Unidades |


A unidade de medida para o torque definida pelo Sistema Internacional de Unidades é o newton-metro. Ainda que matematicamente a ordem destes fatores, "newton" e "metros", seja indiferente, o BIPM (Bureau International des Poids et Mesures) especifica[6] que a ordem deve ser N·m e não m·N.



Segunda lei de Newton para rotações |



Ver artigo principal: Leis de Newton


Eixo fixo |


Um torque pode fazer um corpo rígido girar, como acontece, por exemplo, quando abrimos ou fechamos uma porta. Para relacionar o torque resultante aplicado a um corpo rígido à aceleração angular a produzida por esse torque, faz-se a analogia com a segunda lei de Newton para translações (Fres=ma{displaystyle F_{res}=ma}{displaystyle F_{res}=ma}). No caso, o torque resultante τres{displaystyle tau _{res}}{displaystyle tau _{res}} é análogo à força resultante Fres{displaystyle F_{res}}{displaystyle F_{res}}, a aceleração angular α{displaystyle alpha }alpha à aceleração a{displaystyle a}a, e o momento de inércia I{displaystyle I}I à massa m{displaystyle m}m. Desse modo, tem-se a seguinte equação:[3]



2ª lei de Newton para rotações (eixo fixo)

τres=Iα{displaystyle tau _{res}=Ialpha }{displaystyle tau _{res}=Ialpha }








Forma geral |


Caso o torque resultante não seja paralelo à aceleração angular, a relação entre as duas grandezas vetoriais não será dada através de um número, o momento de inércia, mas sim por um tensor, conhecido como o tensor de inércia.



2ª lei de Newton para rotações (forma geral)

τres=Iα⇔(τxτyτz)=(IxxIxyIxzIyxIyyIyzIzxIzyIzz)(αxαyαz){displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}=mathbf {I} {boldsymbol {alpha }}Leftrightarrow {begin{pmatrix}tau _{x}\tau _{y}\tau _{z}end{pmatrix}}={begin{pmatrix}I_{xx}&I_{xy}&I_{xz}\I_{yx}&I_{yy}&I_{yz}\I_{zx}&I_{zy}&I_{zz}end{pmatrix}}{begin{pmatrix}alpha _{x}\alpha _{y}\alpha _{z}end{pmatrix}}}{displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}=mathbf {I} {boldsymbol {alpha }}Leftrightarrow {begin{pmatrix}tau _{x}\tau _{y}\tau _{z}end{pmatrix}}={begin{pmatrix}I_{xx}&I_{xy}&I_{xz}\I_{yx}&I_{yy}&I_{yz}\I_{zx}&I_{zy}&I_{zz}end{pmatrix}}{begin{pmatrix}alpha _{x}\alpha _{y}\alpha _{z}end{pmatrix}}}



Nesta equação matricial, cada entrada Iij{displaystyle I_{ij}}{displaystyle I_{ij}}, em que i{displaystyle i}i e j{displaystyle j}j variam entre 1, 2 e 3, pode ser calculada da seguinte forma:



Iij=∫[(x12+x22+x32)δij−xixj]dm{displaystyle I_{ij}=int left[left(x_{1}^{2}+x_{2}^{2}+x_{3}^{2}right)delta _{ij}-x_{i}x_{j}right]dm}{displaystyle I_{ij}=int left[left(x_{1}^{2}+x_{2}^{2}+x_{3}^{2}right)delta _{ij}-x_{i}x_{j}right]dm}.

De modo que x1=x{displaystyle x_{1}=x}{displaystyle x_{1}=x}, x2=y{displaystyle x_{2}=y}{displaystyle x_{2}=y} e x3=z{displaystyle x_{3}=z}{displaystyle x_{3}=z}.



Relação com o momento angular |


O torque resultante (referido a uma particular origem O{displaystyle O}O) sofrido por uma partícula também pode ser expresso como sendo a derivada temporal do momento angular (referido à mesma origem). Considerando L{displaystyle mathbf {L} }{displaystyle mathbf {L} } como o vetor momento angular da partícula, escreve-se matematicamente:[8]



2ª lei de Newton para rotações (momento angular)

τres=dLdt{displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}={frac {dmathbf {L} }{dt}}}{displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}={frac {dmathbf {L} }{dt}}}








Equilíbrio de rotação |



Ver artigo principal: Estática

Diz-se que um corpo rígido (como uma alavanca, por exemplo) está em equilíbrio quando a soma vetorial de todos os seus momentos de torque forem o vetor nulo.



Condição de equilíbrio de rotação

τres=∑i=1nτi=0{displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}=sum _{i=1}^{n}{boldsymbol {tau }}_{i}=mathbf {0} }{displaystyle {boldsymbol {tau }}_{res}=sum _{i=1}^{n}{boldsymbol {tau }}_{i}=mathbf {0} }




Problemas envolvendo torque |



Bloco pendurado por disco |





















Imagem de um bloco pendurado por uma corda enrolada em um disco.



Diagrama de forças referente ao problema.




Tomemos um disco homogêneo, de massa M{displaystyle M}M e raio R{displaystyle R}R, montado em um eixo horizontal fixo; e um bloco de massa m{displaystyle m}m pendurado por uma corda (de massa desprezível) enrolada na borda do disco. Conhecidos os valores desses parâmetros e usando as leis de Newton para translação e para rotação é possível determinar a aceleração do bloco em queda, a aceleração angular do disco e a tensão da corda, contanto que seja considerado que a corda não escorrega e que não há atrito no eixo.[7]


Por um lado, considerando o bloco como um sistema, pode-se relacionar a aceleração a às forças que agem sobre o bloco através da segunda lei de Newton para translação (Fres=ma{displaystyle F_{res}=ma}{displaystyle F_{res}=ma}). Por outro, ao considerar o disco como um sistema, relaciona-se a aceleração angular α{displaystyle alpha }alpha ao torque que age sobre o disco através da segunda lei de Newton para rotação (τres=Iα{displaystyle tau _{res}=Ialpha }{displaystyle tau _{res}=Ialpha }). Por fim, para combinar os movimentos do bloco e do disco, utiliza-se do fato de que a aceleração linear do bloco e a aceleração linear (tangencial) da borda do disco são iguais, sendo representadas por a{displaystyle a}a.[7]


As forças atuantes estão representadas no diagrama de corpo livre do sistema. A força de tensão na corda é T{displaystyle T}T e o peso do bloco é P{displaystyle P}P, cujo módulo é P=mg{displaystyle P=mg}{displaystyle P=mg}. Podemos escrever a segunda lei de Newton para as componentes ao longo de um eixo vertical y (Fres,y=may{displaystyle F_{res,y}=ma_{y}}{displaystyle F_{res,y}=ma_{y}}) como:[7]



Fres=ma⟹T−mg=ma{displaystyle F_{res}=maimplies T-mg=ma}{displaystyle F_{res}=maimplies T-mg=ma} (1){displaystyle (1)}(1)

Entretanto, não é possível obter o valor de a{displaystyle a}a usando apenas esta equação porque ela também contém a incógnita T{displaystyle T}T. Comumente em problemas de mecânica, quando se esgotam as conclusões a serem tiradas acerca das forças em um eixo (no caso, o eixo y), observa-se as forças de outros eixos (como o eixo x) para obter mais equações e formar um sistema. Da mesma forma, pode ser útil usar as condições de rotação do disco para formar tal sistema.[7][10]


Para calcular os torques e o momento de inércia, usamos o fato de que o eixo de rotação é perpendicular ao disco e passa pelo seu centro. Nesse caso, os torques são dados pela equação τ=rF⊥{displaystyle tau =rF_{perp }}{displaystyle tau =rF_{perp }}. A força peso do disco e a força do eixo agem sobre o centro do disco e, portanto, a uma distância r=0{displaystyle r=0}{displaystyle r=0}, de modo que o torque produzido por essas forças seja nulo. A força T{displaystyle T}T exercida pela corda sobre o disco age a uma distância r=R{displaystyle r=R}{displaystyle r=R} do eixo e é tangente à borda do disco. Assim, a força produz um torque τ=−RT{displaystyle tau =-RT}{displaystyle tau =-RT}, negativo pois o torque tende a fazer o disco girar no sentido horário (lembrando que a regra da mão direita estabelece o sentido anti-horário de rotação como positivo). O momento de inércia do disco é I=MR2/2{displaystyle I=MR^{2}/2}{displaystyle I=MR^{2}/2}. Assim, escreve-se a equação τres=Iα{displaystyle tau _{res}=Ialpha }{displaystyle tau _{res}=Ialpha } da seguinte forma:[10]


τres=Iα⟹−RT=MR22α⟹T=−12MαR{displaystyle tau _{res}=Ialpha implies -RT={frac {MR^{2}}{2}}alpha implies T=-{frac {1}{2}}Malpha R}{displaystyle tau _{res}=Ialpha implies -RT={frac {MR^{2}}{2}}alpha implies T=-{frac {1}{2}}Malpha R}

Como a aceleração linear do bloco e a aceleração tangencial do disco são iguais, é válida a equação a=αR{displaystyle a=alpha R}{displaystyle a=alpha R}. Substituindo este valor na equação anterior, obtém-se:[10]



T=−12Ma{displaystyle T=-{frac {1}{2}}Ma}{displaystyle T=-{frac {1}{2}}Ma} (2){displaystyle (2)}(2)

Substituindo a equação (2) na equação (1), encontra-se a aceleração obtida pelo corpo:[10]


−12Ma−mg=ma⟹(m+12M)a=−mg{displaystyle -{frac {1}{2}}Ma-mg=maimplies left(m+{frac {1}{2}}Mright)a=-mg}{displaystyle -{frac {1}{2}}Ma-mg=maimplies left(m+{frac {1}{2}}Mright)a=-mg}


a=−mgm+12M{displaystyle a=-{frac {mg}{m+{frac {1}{2}}M}}}{displaystyle a=-{frac {mg}{m+{frac {1}{2}}M}}}



Com esse resultado também é possível obter o valor da tração na corda, substituindo esta equação na equação (2):


T=−12M(−mgm+12M){displaystyle T=-{frac {1}{2}}Mleft(-{frac {mg}{m+{frac {1}{2}}M}}right)}{displaystyle T=-{frac {1}{2}}Mleft(-{frac {mg}{m+{frac {1}{2}}M}}right)}


T=Mmg2m+M{displaystyle T={frac {Mmg}{2m+M}}}{displaystyle T={frac {Mmg}{2m+M}}}




Cálculos de Forças |







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Uma forma mais geral e simples de somar qualquer tipo de forças consiste em deslocá-las
todas para um mesmo ponto, mas por cada força F→{displaystyle {vec {F}}}vec F deslocada, deverá ser adicionado um torque, igual ao produto do módulo da força e o braço em relação ao ponto onde foi deslocada. A figura abaixo mostra uma força F→{displaystyle {vec {F}}}vec F aplicada num ponto P, que queremos deslocar para a origem O.




O deslocamento de uma força para um ponto fora da sua linha de ação introduz um torque τ{displaystyle tau }tau


O vetor posição r→{displaystyle {vec {r}}}vec r do ponto P tem módulo r e faz um ângulo θ{displaystyle theta }theta com a força F→{displaystyle {vec {F}}}vec F O braço da força em relação a O, que é a distância entre O e a linha de ação da força, é igual a r sin θ{displaystyle theta }theta e, portanto, o torque da força em relação a O é:



τ=Frsinθ{displaystyle tau =F;r;sintheta }tau = F;r;sintheta

Repare que (Fsinθ){displaystyle (F;sintheta )}(F;sintheta) é a componente da força na direção perpendicular ao vetor posição r→{displaystyle {vec {r}}}vec r e, assim, podemos dizer que o torque é produzido unicamente pela componente da força perpendicular ao deslocamento, e o valor do torque é igual ao valor absoluto da componente perpendicular da força, vezes a distância r que foi deslocada. O produto denomina-se produto vetorial entre os vetores r→{displaystyle {vec {r}}}vec r e F→{displaystyle {vec {F}}}vec F


No caso da soma das forças paralelas , o deslocamento das forças para o ponto S
introduz dois torques, (τ1=F1d1){displaystyle (tau _{1}=F_{1}d_{1})}(tau_1 = F_1d_1) e (τ2=F2d2){displaystyle (tau _{2}=F_{2}d_{2})}(tau_2 = F_2d_2) os dois torques anulam-se e a resultante das duas forças,do ponto S, é a força F, sem nenhum torque.


É também importante ter em conta o sentido de cada torque. A rotação produzida por F→{displaystyle {vec {F}}}vec F quando for deslocada para a origem será sempre no plano definido por r→{displaystyle {vec {r}}}vec r e F→{displaystyle {vec {F}}}vec F. Se designarmos esse plano por xy, uma forma conveniente de representar os dois sentidos possíveis do torque é por meio dos versores e→z{displaystyle {vec {e}}_{z}}vec e_z e −e→z{displaystyle -{vec {e}}_{z}}-vec e_z Assim, podemos definir o vetor torque τ→{displaystyle {vec {tau }}}vec tau usando a expressão vetorial:



τ→=r→×F→{displaystyle {vec {tau }}={vec {r}}times {vec {F}}}vec tau = vec r times vec F

em que r→×F→{displaystyle {vec {r}}times {vec {F}}} vec r times vec F é, por definição, um vetor com módulo dado pela


equação τ=Frsinθ{displaystyle tau =F;r;sintheta }tau = F;r;sintheta , direção perpendicular ao plano definido por


r→{displaystyle {vec {r}}}vec r e F→{displaystyle {vec {F}}}vec F e sentido dado pela regra da mão direita:


afastando os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, se o indicador aponta no


sentido de r→{displaystyle {vec {r}}} vec r e o dedo médio no sentido de F→{displaystyle {vec {F}}}vec F , o sentido


de τ→{displaystyle {vec {tau }}}vec tau é dado pelo dedo polegar.


É de salientar que com essa definição, o produto vetorial não é comutativo; (a→×b→){displaystyle ({vec {a}}times {vec {b}})}(vec a times vec b) e (b→×a→){displaystyle ({vec {b}}times {vec {a}})}(vec b times vec a) são vetores com o mesmo módulo e direção, mas com sentidos opostos. Como o ângulo de um vetor consigo próprio é zero, o produto a→×a→{displaystyle {vec {a}}times {vec {a}}}vec a times vec a é sempre nulo; em particular,


e→x×e→x=e→y×e→y=0{displaystyle {vec {e}}_{x}times {vec {e}}_{x}={vec {e}}_{y}times {vec {e}}_{y}=0}vec e_x times vec e_x = vec e_y times vec e_y = 0


O produto de dois versores perpendiculares é outro versor perpendicular a
eles; assim, temos que


(e→x×e→y=e→z){displaystyle ({vec {e}}_{x}times {vec {e}}_{y}={vec {e}}_{z})}(vec e_x times vec e_y = vec e_z) e (−e→y×e→x=e→z){displaystyle (-{vec {e}}_{y}times {vec {e}}_{x}={vec {e}}_{z})}(-vec e_y times vec e_x = <br />
vec e_z) .


Consequentemente, escolhendo eixos em que os vetores r e F só tenham componentes x e y, obtemos o seguinte resultado útil para calcular produtos vetoriais:



τ→=|xyFxFy|e→z=(xFy−yFx)e→z{displaystyle {vec {tau }}={begin{vmatrix}x&y\F_{x}&F_{y}end{vmatrix}}{vec {e}}_{z}=(xF_{y}-yF_{x}){vec {e}}_{z}}vec tau = begin{vmatrix}x & y \ F_x & F_yend{vmatrix}vec e_z = (xF_y - yF_x)vec e_z

Concluiremos para o fato de que, em contraste com as forças, os torques sim são vetores livres. O mesmo torque aplicado em qualquer ponto de um objeto produz o mesmo efeito. Uma força e um torque perpendicular a ela são sempre equivalentes à força, sem torque, atuando em outro ponto diferente. Isto é, deslocando a força na direção e distância apropriada, podemos introduzir um torque igual e oposto ao que queremos anular; como os dois torques são vetores livres, somam-se dando um torque nulo. O ponto de aplicação da resultante de várias forças é o ponto onde podemos somá-las produzindo um torque resultante nulo.[11]



Momento e Binários |







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Binário




Momento de uma força


A regra das alavancas pode ser explicada introduzindo o conceito de momento. Define-se o valor do momento de uma força em relação a um ponto O, como o produto do módulo da força pela distância desde o ponto O até a linha de ação da força (braço b{displaystyle b}b),


MO=Fb{displaystyle M_{mathrm {O} }=F,b}<br />
M_mathrm{O} = F,b<br />


O momento MO{displaystyle M_{mathrm {O} }}M_mathrm{O} representa o efeito de rotação produzido pela força, se o ponto O do corpo rígido estivesse fixo, podendo o corpo rodar à volta desse ponto.[11]


Quanto mais afastada estiver a linha de ação da força em relação ao ponto fixo O, maior será o efeito rotativo produzido pela força. Isso explica porquê é mais fácil fechar a porta quanto mais longe das dobradiças for aplicada a força; a distância entre a linha de ação da força e a linha das dobradiças é o braço e quanto maior for, maior será o momento da força aplicada.


Sendo r→{displaystyle {vec {r}}}vec{r} o vetor posição do ponto P em que a força F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} é aplicada, em relação à origem O, o braço da força em relação à origem O é igual a rsin⁡θ{displaystyle r,sin theta }r,sintheta, em que o ângulo θ{displaystyle theta }theta é o ângulo entre os vetores r→{displaystyle {vec {r}}}vec{r} e F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} (figura ao lado).[11]


Conclui-se que valor do momento da força em relação ao ponto O é igual a,


MO=Frsin⁡θ{displaystyle M_{mathrm {O} }=F,r,sin theta }<br />
M_mathrm{O} = F,r,sintheta<br />


Repare-se que (Fsin⁡θ{displaystyle F,sin theta }F,sintheta) é a componente da força na direção perpendicular ao vetor posição r→{displaystyle {vec {r}}}vec{r}, ou seja, o valor do momento da força é também igual ao produto da distância desde o ponto de aplicação até a origem, r{displaystyle r}r, pela componente perpendicular da força. O momento produzido pela força é devido unicamente à componente perpendicular da força.[11]


A equação acima mostra que o momento da força é igual ao módulo do produto vetorial entre o vetor posição e a força e mostra a conveniência de definir o momento em forma vetorial:


M→O=r→×F→{displaystyle {vec {M}}_{mathrm {O} }={vec {r}}times {vec {F}}}<br />
vec{M}_mathrm{O} = vec{r}timesvec{F}<br />


O vetor M→O{displaystyle {vec {M}}_{mathrm {O} }}vec{M}_mathrm{O} representa um efeito de rotação num plano perpendicular a ele.


Na figura anterior o momento é um vetor que aponta para fora da figura e costuma ser representado por uma seta circular, no sentido da rotação que segue a regra da mão direita em relação ao sentido do vetor M→O{displaystyle {vec {M}}_{mathrm {O} }}vec{M}_mathrm{O}.


Um binário é um conjunto de duas forças F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} e −F→{displaystyle -{vec {F}}}-vec{F}, iguais e opostas, com linhas de ação paralelas, como mostra a figura ao lado.


O binário não produz nenhuma translação em nenhum sentido, mas apenas rotação. O momento total, em relação à origem O, é a soma dos momentos das duas forças,


r→Q×F→−r→P×F→=(r→Q−r→P)×F→{displaystyle {vec {r}}_{mathrm {Q} }times {vec {F}}-{vec {r}}_{mathrm {P} }times {vec {F}}=({vec {r}}_{mathrm {Q} }-{vec {r}}_{mathrm {P} })times {vec {F}}}<br />
vec{r}_mathrm{Q}timesvec{F} - vec{r}_mathrm{P}timesvec{F} = (vec{r}_mathrm{Q} - vec{r}_mathrm{P})timesvec{F}<br />


Os dois vetores de posição dos pontos Q e P dependem da escolha da origem, mas a sua diferença é o vetor r→PQ{displaystyle {vec {r}}_{mathrm {PQ} }}vec{r}_mathrm{PQ} na figura, que não depende do ponto onde estiver a origem.


Isso quer dizer que o binário produz um momento que não depende de nenhum ponto de referência,


M→=r→PQ×F→{displaystyle {vec {M}}={vec {r}}_{mathrm {PQ} }times {vec {F}}}<br />
vec{M} = vec{r}_mathrm{PQ}timesvec{F}<br />


Na figura abaixo o momento do binário é um vetor para fora da figura, representado pela seta circular no sentido anti-horário.




Procedimento para deslocar uma força de um ponto P para outro ponto Q


Uma força F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} aplicada num ponto P pode ser deslocada para outro ponto Q, fora da sua linha de ação, usando o procedimento ilustrado na figura acima.


Adicionam-se duas forças −F→{displaystyle -{vec {F}}}-vec{F} e F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} nos pontos P e Q e, para não alterar nada, adiciona-se também um binário M→{displaystyle {vec {M}}}vec{M} com o mesmo módulo do binário das forças introduzidas, mas no sentido oposto.


No caso da figura anterior, M{displaystyle M}M deve ser no sentido horário e com módulo igual ao produto de F{displaystyle F}F pela distância desde Q até a linha de ação da força original; ou, em forma vetorial, M→=r→QP×F→{displaystyle {vec {M}}={vec {r}}_{mathrm {QP} }times {vec {F}}}vec{M}=vec{r}_mathrm{QP}timesvec{F}.


No ponto P há duas forças iguais e opostas que se anulam, ficando no fim a força F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} no ponto Q e o binário M→=r→QP×F→{displaystyle {vec {M}}={vec {r}}_{mathrm {QP} }times {vec {F}}}vec{M}=vec{r}_mathrm{QP}timesvec{F} que é igual ao momento M→Q{displaystyle {vec {M}}_{Q}}vec{M}_Q que a força original, em P, produz em relação ao ponto Q.


Conclui-se que para somar um conjunto de forças num ponto Q, somam-se os momentos das forças em relação a esse ponto, dando um binário resultante, e somam-se as forças como vetores livres. O resultado é a força resultante no ponto Q e o binário resultante.


Quando as direções de todas as forças estiverem num mesmo plano, será conveniente definir dois dos eixos coordenados nesse plano, por exemplo x{displaystyle x}x e y{displaystyle y}y e a origem no ponto onde vão ser somadas as forças. Assim sendo, o momento de cada força F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F} em relação à origem introduz um binário que tem unicamente componente segundo z{displaystyle z}z, dada pelo determinante,


Mz=|xyFxFy|{displaystyle M_{z}=left|{begin{array}{cc}x&y\F_{x}&F_{y}end{array}}right|}<br />
M_z = left| begin{array}{cc}x & y \ F_x & F_y end{array} right|<br />


em que x{displaystyle x}x e y{displaystyle y}y são as coordenadas do ponto onde está a ser aplicada a força F→{displaystyle {vec {F}}}vec{F}.


Para obter o binário resultante bastará somar os valores de Mz{displaystyle M_{z}}M_z obtidos para cada força.[11]



Ver também |



  • Impulso

  • Movimento circular uniforme

  • Binário do motor



Referências




  1. ↑ abc Halliday 2012, p. 292


  2. ↑ abcd Halliday 2012, p. 267


  3. ↑ abc Halliday 2012, p. 268


  4. ↑ Halliday 2012, p. 293


  5. ↑ Martins, Jorge Sá. «Operações com vetores». Youtube. 7 de outubro de 2017 


  6. ↑ «SI - Unidades derivadas». bipm.org 


  7. ↑ abcde Halliday 2012, p. 269


  8. ↑ ab Halliday 2012, p. 297


  9. ↑ Halliday 2012, p. 298


  10. ↑ abcd Halliday 2012, p. 270


  11. ↑ abcde Trechos que usam material da obra Villate, Jaime E (2013). «6: Dinâmica dos corpos rígidos». Dinâmica e Sistemas Dinâmicos. Porto: [s.n.] ISBN 978-972-99396-1-7. Consultado em 8 de junho de 2013  Disponibilizada nos termos da Creative Commons Attribution Share Alike 3.0.



Bibliografia |



  • Halliday, David (2012). Fundamentos de Física Volume 1 - Mecânica (9ª ed). Rio de Janeiro, RJ: LTC - Livros Técnicos e Científicos 


  • Portal da ciência
  • Portal da física
  • Portal da engenharia



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